User Experience Lisbon 2012

por a 30 Maio 2012 em Artigos, Destaque

A User Experience Lisbon, ou UXLX, é uma das principais conferências mundiais sobre User Experience (UX), Usabilidade e Product Design. Já na sua terceira edição, a UXLX leva até ao FIL Meeting Centre centenas de profissionais da área que durante três dias partilham o seu conhecimento e experiência. Se nesta altura estão a pensar “mas que raio é User Experience?” então fiquem a saber que é a “ciência” que estuda a forma como uma pessoa se sente, relaciona e percepciona um produto, serviço ou sistema. É uma área cada vez mais em destaque pois é crescente a preocupação das empresas em se distinguirem da concorrência e criarem produtos intuitivos, eficientes e com o qual os utilizadores se conseguem relacionar.

Os dois primeiros dias estavam reservados aos workshops, que servem de aquecimento para o último e principal dia da conferência, com um alinhamento de talks dos oradores de maior renome. Foi precisamente neste último dia que estivemos na UXLX e sobre o qual vamos falar ao longo dos próximos minutos. Se quiserem saber como é que a Apple transforma os seus produtos em objectos de desejo, quais os truques que tornam o Halo 3 num dos jogos de maior sucesso ou simplesmente descobrir se os nossos smart phones são assim tão inteligentes, então está na hora de desligar a música porque vem aí conteúdo muito interessante!

Peter Morville – The Architecture of Understanding

A conferência abriu com uma talk de Peter Morville que serviu sobretudo para definir o que viria a ser o eixo comum de toda a conferência: a ideia que a User Experience tem de ser transversal a toda a empresa porque só assim é possível melhorar a experiência dos seus produtos e serviços como um todo. Dando exemplos mais concretos, falou (entre outros) do sistema Nike+ que integra sapatilhas, sensores, aplicação para o iPod e aplicação web e onde a UX teve de ser trabalhada em todas as etapas do processo de criação do produto para que esta plataforma tivesse o sucesso que tem hoje em dia.

Esta estratégia cross-channel, que o orador chama de Cross-channel Diamond é fundamental para as empresas conseguirem cativar o maior número de clientes. Técnicas como ter portes de envio grátis para levantamento de encomendas online nas loja físicas, aumentaram em 50% a afluência às lojas da americana REI o que se traduziu num acréscimo de vendas associadas às encomendas.

Com a crescente popularidade dos smart phones e tablets, uma das técnicas mais importantes é o chamado Responsive Design que se centra em desenhar os produtos com a consciência que podem ser utilizados em diferentes dispositivos, com características muito distintas e para os quais os utilizadores precisam de ter a melhor experiência possível.

Outra técnica muito simples é a inclusão de referências para o site da marca em todos os locais possíveis, desde etiquetas, talões de pagamentos, anúncios ou mesmo dentro das próprias lojas, mantendo desta forma os clientes constantemente ligados dentro e fora das lojas.

A talk de Peter Morville terminou com uma mensagem dirigida a todos os profissionais presentes, para que saiam da sua área de conforto e façam com que os seus clientes percebam de facto tudo aquilo que é possível melhorar nas suas empresas com algumas destas simples técnicas.

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Steve Portigal – Discover and act on insights about people

Com a talk de Steve Portigal, o foco virou-se para os utilizadores e as diferentes metodologias de análise do seu comportamento. Começou por falar nos diferentes métodos de “examinar” as pessoas, desde entrevistas, sessões de “faz-de-conta” ou desenho, o importante é fazer com que os utilizadores consigam transmitir a sua interpretação da solução para os determinados problemas. E aqui surge o primeiro ponto a reter desta apresentação: as perguntas devem focar-se na solução de um problema e não nas necessidades genéricas dos utilizadores.

Para quem está a conduzir este tipo de análise, é muito importante fazer as perguntas correctas, que não só se centram nas soluções e como também pretendem provocar uma reacção nos utilizadores para poder identificar expectativas escondidas. Outra parte importante é a própria selecção das pessoas a estudar, uma vez que é fundamental obter feedback que seja de facto útil para o desenvolvimento dos produtos. Para tal, Portigal deixou três sugestões: escolher pessoas que possam ser utilizadores reais do produto, escolher pessoas que tenham um ponto de vista definido e que saibam o que querem, e finalmente escolher pessoas com diferentes perspectivas para expôr informações que à partida não seriam identificadas.

O problema aqui é que para a maioria das empresas, este tipo de análise obriga a uma mudança de cultura da própria empresa, e todos sabem o quão difícil é mudar. Isto porque este tipo de análise leva a que se descubram novos problemas na tentativa de solucionar os problemas originais e é por isso um trabalho em constante evolução. Outro ponto é o facto de se levantarem questões complicadas ao longo do processo e que podem afectar a própria empresa. Finalmente, o ponto mais complicado para as empresas é o facto de terem de aceitar que nem sempre podem saber as soluções ao longo do processo de análise.

Para terminar, Steve Portigal, deixa também algumas indicações: primeiro investigar para perceber os problemas e só depois passar para a fase da criação, no entanto é também importante incluir a produção de ideias durante a investigação para que nada se perca durante o processo.

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E com estas primeiras duas talks chegámos ao coffee break matinal. E que falta fazia esta pausa para comer uns bolinhos e beber um sempre necessário café. É que logo depois seguiram-se três talks cheias de conteúdo para absorver e toda a gente sabe que ninguém gosta de trabalhar de estômago vazio. Querem saber qual é a aplicação que já está a revolucionar o mundo da medicina? É já daqui a pouco, podem continuar a ler!