Análises

Análise: AKG K 172 HD

Gama alta – antes de adquirir os auscultadores, este era o ponto que mais me assustava. Normalmente, a AKG costuma ter uma reputação por ter auscultadores com agudos algo aguçados. Vê-se um pouco disto nos K 172. Não são exagerados, de modo algum, mas têm um pico nos agudos que não se vê, por exemplo, em nenhuns Sennheiser. Têm, no entanto, um ponto que surpreende bastante: são extremamente arejados e claros. Normalmente com auscultadores que costumam ter este tipo de som, existe uma certa compressão na zona dos 12-15khz, mas não com estes AKG.

Têm, portanto, um a gama alta extremamente linear. O “problema” com o tal pico verifica-se quase sempre a volumes altos e, como seria de esperar, piorou ou melhorou consoante a amplificação e a fonte usadas. Das quatro configurações a número 3 foi aquela que produziu os melhores efeitos, conseguindo aliar uma permanência do excelente detalhe reproduzido, nativamente, pelos auscultadores, a um controlo redobrado da gama alta. Já na configuração 2 foi possível observar um decréscimo significativo no detalhe sonoro, resultando também num som menos “divertido” e, por vezes, um pouco abafado nos agudos. A configuração 4 foi a que produziu mais detalhe, mas não conseguiu obter tanto sucesso na suavização dos agudos, tornando-se o som muitas vezes demasiado cansativo. Observou-se o mesmo na configuração 1, embora a um grau um pouco menor.

Gama média – a gama média é, sem qualquer dúvida o ponto forte destes AKG, a par de um outro, que falarei mais à frente. E um ponto que a define quase totalmente é o detalhe. No entanto, para muita gente, este detalhe poderá vir a um preço. O problema (ou não, depende do ponto de vista), é que a obtenção deste detalhe só foi possível através de um aumento bastante radical na frontalidade desta gama. Tudo, especialmente as vozes, tem um carácter extremamente íntimo. Muita gente é capaz de não gostar desta frontalidade, mas a questão é que o puro detalhe e o realismo com que a musica entra nos nossos ouvidos é, muitas vezes, até de arrepiar. Existe aqui também uma espécie de ligação directa com os agudos (tipo “ponte”).

Digo isto porque são os agudos que ajudam a dar uma claridade inacreditável à gama média. Por sua vez, e tal como nos agudos, a claridade leva-nos também a uma gama média muito arejada, sem “claustrofobias” sonoras nenhumas. Quanto às configurações, devo dizer que em qualquer uma delas, a excelente capacidade da gama média raramente ficou alterada. Na configuração 4 houve um ligeiro aumento do detalhe e da claridade, enquanto que a configuração 1 tornou o som algo mais quente e, provavelmente, mais agradável para muita gente. A configuração 3 retirou alguma da frontalidade (mas pouca) e também deu um som um pouco mais quente. Mas tal como disse, foram diferenças ligeiras.

Gama baixa – este será provavelmente o ponto que gerará mais controvérsia entre as pessoas. A AKG tem um hábito de produzir auscultadores que não costumam realçar muito no grave. Muita gente queixa-se deste hábito, e esta tem sido a razão principal pela qual muitos seguidores, por exemplo, da Sennheiser, têm basicamente odiado a assinatura sonora da AKG. O grave nos K 172, antes do burn-in pode ser descrito como ligeiramente fraco e com pouco impacto (mesmo na zona dos 80hz-100hz). Após alguns dias comecei a notar que o grave estava a modificar-se, mas não da forma como esperava. O grave alto (80-100hz) praticamente não se alterou, sendo que a diferença notou-se no grave mais baixo (30-60hz).

Isto levou a que o som se ficasse, na minha opinião, extremamente linear. Em música Pop, por exemplo, sente-se, mais do que se ouve, o grave. Em Clássica somos confrontados com um grave extremamente equilibrado, mas ao mesmo tempo poderoso quando exigido nas gamas muito baixas. Para quem pretende um som “com graves”, estes provavelmente não serão os auscultadores ideias. Mesmo após o burn-in, o grave não está destacado. No entanto, também não está recuado. Esta é a grande proposta do grave nos K 172: linearidade. Por isso mesmo, para quem quer ouvir música com um grave super-competente, não vai certamente ficar desiludido com os K 172. Passando para as configurações, devo dizer que houve aqui diferenças bastante grandes entre as mesmas. Na configuração 2, apesar do facto de se estar a utilizar MP3 (que normalmente enfatiza o grave), o grave foi o mais fraco e recuado de todas as configurações.

Tal deve-se, tal como já disse, ao facto de o grave nos K 172 ser muito baseado o grave mais baixo e não no típico grave médio de muitos auscultadores. Na configuração 4, o grave foi o mais controlado em todos os aspectos, assistindo-se inclusive a um ligeiro “bump” no grave médio, o que poderá interessar a algumas pessoas habituadas a marcas com assinaturas mais quentes, como os Sennheiser. A configuração que mais me agradou foi a 3, pelo simples facto que me permitiu alterar, no “EQ” do Fiio E7 o grave, para nível 1. Este nível faz um muito ligeiro (sublinho, muito ligeiro) bump nos graves em geral, o que, na minha opinião, torna o grave destes auscultadores utilizável em basicamente qualquer tipo de música, ou até filmes.

Palco e separação instrumental – vamos admitir, auscultadores fechados nunca terão um grande palco. Mesmo os de gama muito alta, por vezes nunca têm aquela sensação de abertura e sensação de espaço que uns bons auscultadores de design aberto. E sendo estes AKG fechados, será de esperar mais do mesmo, não? Bem, não propriamente. Antes do burn-in, o palco não era particularmente impressionante, ainda que melhor do que estava à espera. No entanto, temos que nos lembrar, que normalmente é o palco e a abertura sonora que costumam beneficiar mais com o burn-in. E aqui temos que distinguir palco de abertura do som. Quando se pegam, por exemplo, nuns Sennheiser HD555 nota-se claramente uma abertura bastante grande do som (o som assemelha-se bastante a colunas, no sentido em que nada soa “claustrofóbico”). A vantagem dos K 172 não é na abertura, mas sim no palco. Digo isto, porque não existe o tal factor “wow” de abertura quando se ouvem uns auscultadores de design aberto.

A questão é que, especialmente em música orquestral, o facto de estar tudo tão bem definido e separado no espaço virtual, torna o palco realmente impressionante, coisa que se nota, especialmente bem na configuração 3, pelo simples facto de o Fiio E7 ter como o palco a sua grande vantagem. Na configuração 2 também fiquei surpreendido pelo facto de o Clip+ conseguir dar uma boa vantagem neste aspecto. As configurações 1 e 4 (especialmente a 4) conseguirem também fazer um bom trabalho, embora valorizassem talvez mais a frontalidade e não o palco.

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