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Análise – Creative Aurvana Live!

Introdução

Muita gente não conhece uma grande empresa chamada Foster. Criada no Japão, é uma das lideres mundiais em equipamento electrónico OEM. Em 1973 fundou a Fostex, com o propósito de se virar a sério para o mercado áudio. Hoje em dia existem muitos auscultadores, inclusive de marcas bem conhecidas, que na verdade não passam de OEM’s de outros fabricantes, nomeadamente da Fostex. Os Creative Aurvana Live! são um desses casos: completamente desenhados e fabricados pela Fostex.

Design e ergonomia

Em termos de construção, os Aurvana Live! não impressionam muito. Não é que sejam propriamente mal construídos, mas o tipo de construção faz com que não exibam a solidez mais desejável. Ainda assim, parece-me que ainda poderão durar uma quantidade considerável de tempo (“abusos” físicos é que provavelmente não irão tolerar muito). São totalmente feitos de plástico, aparte de uma banda de metal a rodear os cones. O cabo é de duas vias (sai dos dois cones) e é excelente (não enrola, parece bastante durável e tem um tamanho que considero ser perfeito)

O conforto é excelente para a grande maioria, mas para alguns, não tanto, dado que orelhas de tamanho considerável não irão caber totalmente dentro das almofadas. Para quem tem orelhas de tamanho pequeno-médio, não prevejo problemas. Comigo são muito confortáveis e consigo ficar aproximadamente umas 3-4 horas com eles até começar a ficar com algum cansaço, não pelas almofadas, mas pelo suporte superior, que poderia ser um pouco mais mole. De resto, são excelentes no que toca ao conforto.

O isolamento deixa a desejar. Embora isolem alguma coisa, não isolam sequer o mínimo que seria de esperar de um auscultador fechado. Em casa, este é um aspecto que não incomoda. Na rua já é outra coisa.

Finalmente, vêm incluídos alguns acessórios: uma bola de transporte (feita de uma espécie de imitação de veludo), um adaptador mini-jack (3.5mm>6,3mm) e um cabo de extensão.

Som e ciência

As configurações de dispositivos usadas durante a realização da análise foram as seguintes:

Configuração 1 – Sansa Fuze 8GB (fonte) [+] Fiio E7 (amplificação) – MP3 320kbps (CBR)

Configuração 2 – PC genérico (fonte) [+] Fiio E7 (DAC/amplificação) – FLAC

Antes de ser realizada a análise, os auscultadores foram submetidos a um “burn-in”, durante um período de aproximadamente 100 horas.

A primeira coisa de que nos apercebemos é a energia que os agudos dão à musica. São ligeiramente enfatizados, o que dá à musica uma dose extra de “ar”.  Não são demasiado presentes e não são estridentes nem irritantes, mas estão um pouco acima do neutro em termos de quantidade e tonalidade. São bastante detalhados e a extensão é boa e bastante superior à dos Sennheiser HD238.

A gama média dos CAL! segue um pouco a filosofia dos agudos, em termos de tonalidade. A gama média alta está um pouco mais presente que a gama média baixa, o que dá, mais uma vez, mais “ar” à musica. As vozes têm menos a tal caracteristica “quente” presente em muitos outros auscultadores (tal como na grande maioria dos Sennheiser’s, o que por vezes lhes dá um som algo abafado, algo que se nota muito nos Sennheiser HD238). Existe, de certa forma, uma “ligação” entre os agudos e os médios. É como se fossem os agudos a dar esta caracteristica aos médios. Não digo isto em forma de critica negativa, muito antes pelo contrário. Isto porque, tal como os agudos, a gama média é extremamente detalhada, especialmente na gama média alta.

Algo que está completamente descolado das outras gamas são os graves. Enquanto que em muitos auscultadores assistimos a uma sobreposição e ligação indesejada dos graves aos agudos e médios, nos CAL! isto não acontece. Mas o mais interessante é que não estamos a tratar de uma gama baixa recuada ou em pouca quantidade. Existe um ligeiro “bump” no grave médio (tal como numa enorme quantidade de auscultadores), a muito menor grau que o “bump” nos HD238, e portanto não ao ponto de se tornar excessivo. Não é um grave para “bassheads”. A tonalidade do grave distingue-se do resto do espectro sonoro, por ser relativamente “quente” e suave. A extensão é decente (melhora bastante com o “burn-in”), tal como a rapidez.

Por fim, temos a apresentação sonora dos auscultadores. Tal como já expliquei, tanto a gama alta como a média dão uma excelente sensação de “ar” ao som. Mas é no palco, “abertura” e na espacialidade que estes auscultadores realmente brilham. Normalmente auscultadores fechados não costumam ser conhecidos por se destacarem pela positiva nestas caracteristicas, mas os Aurvana Live! sim. Surpreendem por serem de “desgin” fechado, mas por soarem como muitos auscultadores de “design” aberto, nestes aspectos. Têm um som definitivamente mais expansivo que uns Sennheiser HD238 (que são abertos), por exemplo.

Em termos de amplificação, não existe muito a dizer. Existem algumas melhorias, especialmente no grave, tornando-se este mais articulado, controlado e profundo. O palco também aumenta ligeiramente. Mas estas melhorias são todas muito ligeiras. Tanto em termos de qualidade, como em termos de volume, a amplificação, embora uma ajuda, não é estritamente necessária.

Conclusão

O mundo dos auscultadores é um mundo cada vez mais complicado. A variedade que nos é apresentada hoje em dia é capaz de confundir qualquer pessoa. E por vezes deparamos-nos com certos “hypes” que embora possam ajudar na escolha, em muitos casos também podem confundir ainda mais um individuo.

Os CAL! poderiam ser apenas mais uns auscultadores de gama baixa, a ganhar com certos “hypes” descontrolados e exagerados. Mas não são. Embora não sejam nenhuns auscultadores de topo, impressionam muito, mesmo sem ter em conta o preço. O som não é neutro nem extremamente preciso como alguns outros auscultadores de gamas acima, mas como um todo são muitíssimo bons. Aliás, os próprios auscultadores (não só o som), como um todo, são muito surpreendentes, e dos melhores que já ouvi ou tive. A construção poderia ser mais bem trabalhada, mas o conforto, o som e a sensação de satisfação generalizada (especialmente pelo preço) transformam os CAL! numa fantástica compra.

Destaco pela positiva:

– Som musical: grave profundo e controlado, com muito ligeiro “bump”; agudos detalhados e presentes mas controlados; e gama média relativamente equilibrada;

– Excelente conforto;

– Soberba relação qualidade/preço.

Destaco pela negativa:

– Construção é decente, mas poderia ser melhor;

– Isolamento medíocre.

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