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Como escolher o melhor equipamento fotográfico?

Nota: muitos dos princípios enunciados neste artigo, embora originalmente orientados à fotografia com DSLRs, são igualmente aplicáveis à escolha de outros equipamentos.

0. Compreender e aceitar que a “máquina perfeita” não existe e que há que fazer cedências

Mesmo que existisse algo a que pudéssemos chamar a “melhor máquina do mundo”, certamente que teria um preço exorbitante. Por isso deixaria de ser “perfeita” para muita gente.

Muitas vezes há características que se opõem. Por exemplo: maior resolução implica menor sensibilidade. Por isso, será necessário fazer compromissos e sacrificar alguma coisa. A ideia é sacrificar aquilo que se considera “menos importante” em favor daquilo que se considera “mais importante”.

1. Conhecer o fotógrafo: Todos os fotógrafos são diferentes

Cada fotógrafo tem necessidades diferentes. Isto é, o “mais importante” varia de pessoa para pessoa. Por isso o equipamento “A” pode ser muito bom para o fotógrafo “X” e ao mesmo tempo ser uma péssima opção para o fotógrafo “Y”.

É preciso ter muito cuidado com as pessoas que aconselham com base nas suas necessidades próprias e não com as de quem pede conselho.

Quem é principiante deve dedicar uma boa parte do seu esforço a descobrir quais são as suas necessidades fotográficas (quais são os estilos de fotografia de que gosta, qual o peso do equipamento que está disposto a transportar, se lhe interessa ter vídeo, etc.) Para muitos, a única hipótese de descobrir as suas necessidades fotográficas será a prática. Por exemplo: comprar um equipamento mais barato mas que tenha uma “amostra” do que se pode fazer (ex.: compacta super-zoom); e ir a encontros de fotografia da ZWAME onde se possa experimentar em primeira mão outros equipamentos.

Enquanto este ponto não estiver minimamente resolvido, não faz sentido avançar para os pontos seguintes.

2. Fazer uma lista das características “importantes,” destacando as “eliminatórias”

Equipamento complexo como por exemplo o corpo de uma DSLR tem milhares de características. É impossível analisá-las todas. E depois há características que não dá para estudar no papel (ex.: ergonomia). E ainda, pode acontecer que o equipamento “A” seja bom na característica “X” e mau na característica “Y” e o equipamento “B” seja exactamente ao contrário.

A melhor maneira de lidar com isto é:

  • Escolher as características que interessam com base nas necessidades fotográficas identificadas no ponto anterior
  • Destacar (com muito cuidado) as características “eliminatórias” (se o equipamento “A” não tiver a característica “X” sai definitivamente da lista das escolhas possíveis). Exemplos de características eliminatórias: preço, sistema suportado, resolução mínima.
  • Ordenar por prioridade as restantes características que interessam (ex.: o que é mais importante resolução ou sensibilidade?)

3. Fazer uma lista das opções “viáveis” e ordenar segundo as “características importantes”

Ir a uma loja on-line e ver o que há que cumpra todas as características eliminatórias.

Quem quiser ser exaustivo pode fazer uma folha de cálculo com os dados e ir ordenado pelas características importantes. Para máquinas fotográficas, o Comparador da DPReview ajuda bastante, mas não é suficiente.

Iniciados em fotografia com DSLR podem consultar as minhas recomendações.

4. Tomar uma decisão

À hora de tomar a decisão ter em conta que:

  • Não há pior fotografia que aquela que ficou por tirar. Não faz sentido esperar “pela última moda” das máquinas fotográficas. É melhor comprar agora algo menos bom do que esperar para o ano para comprar algo melhor.
  • A generalidade das máquinas fotográficas são muito boas. É difícil ficar-se “mal servido”. Se depois de fazer todo o processo de selecção ainda restarem dúvidas, atirar uma moeda ao ar!
  • As lentes ficam e os corpos mudam. Não faz sentido “investir” em corpos topo de gama (DSLR ou EVIL) se depois isso implica ficar sem orçamento para adquirir as lentes necessárias para tirar partido. Em geral, são as lentes o que mais limita o fotógrafo. Pelo contrário, mesmo os corpos mais básicos conseguem tirar partido das lentes mais caras.
  • Não faz sentido investir em lentes full-frame pouco úteis em corpos com crop na expectativa de comprar um corpo full-frame num futuro longínquo.
  • Em última análise, quem paga é quem tem de decidir.
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