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Philips Citiscape Downtown

Qualidade de Som

É possível afirmar que a Philips partilha a mesma assinatura sonora entre alguns dos seus auscultadores. Os Citiscape Downtown recordam-me os aspectos positivos anteriormente analisados nos Philips SHE3570. Em comparação com os SHE3570, os Downtown têm menor agressividade na gama alta. A gama baixa não é tão separada da gama média como nos SHE3570, são contíguas. A gama alta tem um toque especial que a torna mais artificial que o desejado, mas é justificado pelo propósito que explicarei de seguida.

Focando-me na gama alta, os Downtown conseguem ter o brilho suficiente para destacar os detalhes do espectro sem nunca serem agressivos, mesmo nas más gravações com o nível de loudness em valores insuportáveis para serem utilizadas com muitos dos auscultadores à venda no mercado. Apesar do som ser frontal e causar impacto imediato, os Downtown conseguem ter uma apresentação suave, com transições rápidas, sem nunca perderem a coesão melódica,  não sendo aguçados, ou agressivos. Esta afinação particular, permite que os Citiscape nunca se tornem cansativos e tenham um nível de detalhe suficiente quando nos deslocamos. Diria que existe um pico na parte superior do espectro, embora limitado,  que dá um carácter mais artificial à gama alta, compensando com a maior sensação de detalhe e maior abertura espacial. Muitos dos modelos de auscultadores portáteis sacrificam a gama alta, dando ênfase à gama baixa, traduzindo-se numa assinatura sonora mais quente e “escura”. Não é o caso dos Citiscape Downtown, estes são suficientemente neutros e equilibrados.

Os Downtown têm a gama baixa em linha com a gama média. Ambas as gamas merecem o mesmo destaque na resposta de frequência. Em música carregada de grave, os Downtown conseguem transmitir o impacto do grave com uma agradável vibração das almofadas, facilmente perceptível na banda sonora de Tron: Legacy, levando-me a recomendar os Downtown para a visualização de filmes em movimento. O grave não é tão forte e profundo como nos CAL!. O som é coeso em todo o espectro, apesar da resposta em frequência não se extender nos extremos, como nos CAL!.  Em relação aos CAL!, os extremos dos Downtown são mais controlados. É esta integridade na resposta em frequência que torna os Citiscape interessantes.

A resolução na gama baixa é boa, nunca parecendo congestionado. O impacto nesta gama é assertivo e preciso.

A gama média merece uma observação particular que já tinha auditado nos SHE3570, existe uma certa coloração e uma resposta aguçada na transição para a gama alta, perceptível na voz, parecendo por vezes nasalada. Não é um ponto grave, porque rapidamente nos habituamos à assinatura sonora fácil, mas característica dos Citiscape Downtown, ajudando inclusivamente à legibilidade desta gama. Esta é clara e articulada, nunca atingindo níveis de transparência comparáveis a outros auscultadores de alta-fidelidade, mas este não será o segmento em que os Downtown se quererão incluir.

Mesmo sendo do tipo supra-aural, existe uma agradável sensação de espaço e profundidade que não é afectado pela frontalidade das gamas baixa e média. Em termos de detalhe e resolução espacial, os Downtown não estão ao mesmo nível dos CAL!. Os Downtown não têm tanto detalhe nem conseguem ter a mesma resolução dos CAL!, perdendo-se alguma informação. No entanto, a audição dos Downtown é mais fácil devido à menor agressividade da gama alta e ao melhor controlo na gama baixa. A apresentação sonora é ligeiramente colorida na gama média, é um toque que fica naturalmente bem nos Downtown, pelos motivos que referi anteriormente. Os CAL! têm maior dinâmica, mas em algumas passagens o grave excessivo e cheio, conjugado com os agudos pronunciados e descontrolados, estragam a experiência de audição, algo que nunca acontece nos Philips Citiscape Downtown.

Os Citiscape Downtown não têm o som que habitualmente um audiófilo procura: resolução ao extremo e uma imagem espacial realista. O som reproduzido é capaz de arrancar alguns sorrisos a todos os que gostam de música.

 

Conclusão 

Neste nível de preço, os CAL! continuam a ser uma excelente recomendação para uma utilização caseira. Os Citiscape Downtown são o complemento natural para uma utilização em movimento, pela boa construção e excelente isolamento, capaz de proporcionar excelentes audições em locais normalmente ruidosos.

 

O Positivo:

  • Os Philips Citiscape Downtown são confortáveis para uma utilização não prolongada;
  • É um dos poucos casos em que uma boa imagem corresponde também a uma boa reprodução sonora;
  • O isolamento do ruído ambiente é muito bom, permitindo a imersão total na música sem interrupções;
  • A funcionalidade do microfone e comando, e a elevada sensibilidade, permitem classificar os Citiscape Downtown como uma das melhores propostas de auscultadores portáteis;
  • O preço é adequado;
  • Ainda mais confortável para as utilizadoras do sexo feminino.

A ser revisto:

  • Numa fase inicial e em utilização prolongada, a pressão da headband pode tornar os auscultadores desconfortáveis. Após um período de habituação, a headband e as almofadas adquirem maior flexibilidade e conforto.
  • O facto dos auscultadores não recolherem, limita o seu transporte – é uma opção compreensível por motivos de desenho do auscultador. Por este motivo, seria desejável incluir uma bolsa para guardar os auscultadores, se possível em linha com o desenho elegante dos Citiscape.

O mau: Nada a assinalar.

 

 

Agradecimento

A ZWAME agradece à Philips pela disponibilidade do material.

Copyright © Zwame, Lda 2012. Reprodução proibida sem autorização prévia.

Autor: Miguel Costa

 

Álbuns de Teste

–       Suspended Night – Tomasz Stanko Quartet

–       Tron: Legacy – Soundtrack – Daft Punk

–       It’ll End in Tears- This Mortal Coil

–       Scratch my Back – Peter Gabriel

–       Khmer – Nils Petter Molvaer

 

 

 

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