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Análise ao Microsoft Surface RT

Introdução

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Poucos dias depois do Microsoft Surface RT estar à venda em Portugal a Microsoft Portugal convidou alguns sites e revistas da área de tecnologia para apresentar o seu novo produto e para emprestar uma unidade a cada uma das pessoas, para se poder efectuar reviews.

Houve várias coisas interessantes durante a apresentação, mas uma das coisas mais interessantes, a meu ver, aconteceu mesmo antes da apresentação.
Enquanto os jornalistas iam chegando, reparei nos dispositivos móveis que cada um trazia, sejam eles telemóveis ou tablets e reparei que havia quem tirasse notas num iPad. Outros interagiam com os diversos telemóveis Android da Samsung e se tentássemos encontrar alguém com um Windows Phone ou um tablet com Windows, não era possível.
Onde quero chegar é que no mercado móvel a Microsoft não é uma força dominante. Aliás, está longe disso e pode-se mesmo dizer que a quota de mercado actual da Microsoft, neste tipos de produtos, não passa de um nicho.

O mundo mudou ao que se tradicionalmente se vê nos PCs. Android (especialmente a Samsung) e iOS (a Apple) são os grandes gigantes deste mercado.
A Microsoft que praticamente inventou o mercado tablet e que há bastante tempo disponibilizava um sistema operativo para telemóveis, não soube acompanhar o mercado e foi apanhada de surpresa com os avanços dos smartphones e o reinventar do tablet feito pela Apple com o iPad.
O que a Microsoft tenta fazer agora é recuperar o tempo perdido, muitas vezes com os seus parceiros de hardware, mas também com hardware próprio, onde este Surface RT é um dos primeiros exemplos.

A questão de criar hardware próprio é outro dos pontos muito importantes que foi falado na apresentação.
O Steve Ballmer definiu o futuro da Microsoft como sendo uma empresa de serviços e de dispositivos. Só agora estão a aparecer os primeiros frutos dessa nova visão, mas a impressão que fiquei é que muitos outros dispositivos, com a marca Microsoft, vão aparecer proximamente.
Este novo posicionamento da Microsoft no mercado levanta algumas questões. A principal é o seu relacionamento com as marcas de hardware, que podem ficar enfraquecido e não lançarem ou lançarem menos produtos com sistemas operativos Microsoft, visto estarem agora em concorrência directa com quem lhes fornece o software.
Para os consumidores um produto Microsoft pode dar mais garantias, pois sabem que nesses dispositivos está a visão original que conjuga hardware e software. É uma questão de integração.

Em relação ao Microsoft Surface RT, este é um produto interessante e bastante diferente de muitas outras coisas no mercado.
É um tablet, mas quer ser mais que isso. É um Windows, mas não um Windows “tradicional”.
Na sua base ele é um tablet que, em vez dos tradicional processador Intel (x86), tem um processador ARM. Isto faz com que o sistema operativo não seja o Windows 8, mas sim o Windows RT, que é uma versão muito parecida, mas onde não se podem instalar os tradicionais programas de desktop do mundo x86 e habituais no Windows 8.
Por isso mesmo, o ambiente “Modern UI” que foi introduzido no Windows 8, ganha especial relevância, além da nova Store com aplicações para este ambiente, que também se torna muito importante, visto que é a única forma de instalar aplicações.
Num Windows 8, podemos ignorar este novo ambiente e esta Store, mas no Windows RT, isso é quase impossível.

 

Um novo caminho

Ao longo de mais 30 anos vimos a Microsoft como uma empresa de software que fornecia software aos seus parceiros. Com excepção da XBOX que tem corrido bem e de acessórios como é o caso de teclados e ratos há aqui uma entrada num mundo que até agora a Microsoft não se tinha aventurado. Há duas críticas sobre este avanço. Por um lado, a Microsoft está a seguir o caminho da Apple. Este argumento não é completamente verdade já que a Microsoft continua a fornecer o software nos mesmos moldes que fazia antes. A diferença é que de facto concorre com os antigos parceiros e isso é uma novidade para eles. Mas a meu ver isto também vai permitir elevar a qualidade dos produtos lançados. É isso que todos esperamos. Por outro lado, o anúncio do desenvolvimento do Surface e do seu lançamento parece não ter sido explicado aos parceiros, quando estes, continuaram a colaborar com a Microsoft no lançamento dos seus novos produtos. De alguma forma foi uma traição a estes. As implicações não são claras ainda pelo menos em toda a sua extensão. Este é um assunto a que fará sentido voltar num artigo específico.

 

O riscos das alterações demasiado rápidas

O interface do Windows 8 é uma revolução em relação ao que existia desde o Windows XP para falar apenas desde o ano 2001. Também foi a partir dai que o computador mais se democratizou e é ainda o XP o sistema operativo com uma quota de mercado significativa e que vale a pena discutir. O Windows 95, 98 e 2000 já não têm qualquer relevância.

O “Modern UI” é a tentativa de uniformizar todo o ambiente Windows desde o Windows Phone, passando pelos tablets e até ao desktop. O problema é que quando se tem um número de utilizadores tão elevado e dispositivos tão diferentes é difícil ter um compromisso que agrade a todos. Além disso um outro aspecto a ter em conta é o conhecimento e facilidade dos utilizadores perante a mudança. E esse aspecto está a ser mais complicado do que o esperado atendendo aos números que vemos na adoção do Windows 8. Esta mudança não é fácil para muitos utilizadores e trás uma enorme dificuldade em alguns casos. Depois deixou de haver aquilo que sempre foi uma vantagem da Microsoft. Alguém com o mesmo produto que resolve os problemas e ajuda o amigo. Aquilo que é mais simples de assistir, e tivemos oportunidade de repetir isso com várias pessoas durante o tempo que tivemos o equipamento é ver que rapidamente as pessoas começavam a perguntar “como se faz isto”. Quando falamos de utilizadores que usam Windows à muitos anos este tipo de pergunta tem que ser encarada com alguma preocupação.

Os mais atentos estão a pensar que me enganei e estou a chamar Windows 8 ao RT. Foi de propósito. Tentem explicar a alguém que o Surface RT não usa o Windows 8 mas sim o Windows RT. Apesar de serem “iguais” aqui não podem correr as aplicações que estão habituados. O problema é o processador. Estão a ver onde isto vai parar. As pessoas simplesmente não vão entender a confusão.

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