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Análise SteelSeries Siberia Elite

Siberia 6

Apresentação

No falso documentário Spinal Tap há momento fantástico que com o tempo se tornou um lugar-comum para caracterizar algo que ultrapassa os limites daquilo que se institui como norma: o excêntrico Nigel Tufnel mostra a sua colecção de amplificadores ao realizador Marty DiBergi e destaca um em particular. Neste o volume vai até 11 ao invés do normal 10. Não interessa se o 10 poderia ser mais potente, aquele vai até 11. Talvez tenha sido isso que os engenheiros da SteelSeries disseram à administração quando apresentaram os Siberia Elite: “estes vão até 11”. E vão mesmo.

Esta celebração/evolução do mítico headset Siberia vai de facto, muito mais longe. A qualidade de construção, funcionalidade, design e, porque não dizê-lo também, sensualidade destes Siberia Elite tornam-nos um animal à parte na selva dos periféricos gaming. Os Siberia Elite querem ser o rei, mas será que conseguem?

É quase impossível não ficar rendido à beleza dos Siberia Elite. O esquema de cores que intercala o branco dos plásticos e das enormes almofadas com o aço escovado da bandolete e se completa com a possibilidade de alterar a cor dos leds integrados (falaremos disso mais à frente) é sem dúvida alguma fantástico e dificilmente deixará alguém indiferente. Se por si só são visualmente fantásticos, é quando pegamos nos Elite que percebemos que estes possuem características únicas e suficientemente diferenciadoras para serem considerados um dos mais interessantes e versáteis headsets presentes no mercado.

Características

Auscultadores:

– Impedância: 32 Ohms

– Frequência de Resposta: 20 Hz … 20 kHz (±3dB)

– Sensibilidade: 87dB (±3dB)

– LED: 4 por cada lado

– Distorção: =3% THD

– Atenuação ruído passivo: >11 dB

Microfone:

– Directividade: Uni-direccional

– Sensibilidade: -42 dB (+/- 3 dB)

– Frequência de Resposta: 100Hz… 10 kHz(±3dB)

– Impedância: 2200 Ohm

– LED: 1

Conexão:

– 2 x 3.5 mm jack

– USB (placa audio)

Do fabuloso conforto e toque aveludado das enormes almofadas em imitação de pele passando pela bandolete em aço escovado que une os auscultadores, e terminando no apoio de cabeça e a sua considerável superfície almofadada, os Siberia Elite têm tanto de exagerado como de discreto.Um olhar atento permite-nos apreciar diversos pequenos grandes pormenores, como por exemplo: O microfone integrado que desaparece ao ser recolhido para o interior do auscultador esquerdo. O led incluído no próprio microfone que indica se este está ou não desligado. A regulação de volume e o botão de mute/unmute integrados no auscultador esquerdo e direito e completamente “invisíveis”. O look quase artesanal dos pespontos brancos a acompanhar o logotipo da Steelseries no confortável apoio de cabeça e a forma como este é regulado em altura recorrendo a finos cabos de aço que parecem fazer o headset flutuar quando apoiado na nossa cabeça (algo que faz lembrar o irmão mais velho Siberia V2). A entrada de jack no auscultador direito que permite ligar outros auscultadores, possibilitando a partilha da experiência acústica. O cabo tipo “fita” praticamente impossível de enlear e a possibilidade de, recorrendo a uma pequena ficha, trocar as pontas do cabo por diversos adaptadores como uma extensão, um jack trrs ou um splitter para áudio/voz. Por último, mas não menos importante, a discreta placa de som USB que permite o processamento de Dolby Digital e a utilização do potente software Steelseries Engine.

Fotos

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Funcionalidades e utilização

Apesar de poderem ser utilizados com qualquer dispositivo que possua uma entrada jack recorrendo ao adaptador específico para esse efeito optamos por começar a nossa análise aos Siberia Elite utilizando a placa de som USB que os acompanha. O rápido download e instalação do SteelSeries Engine abre-nos um mundo de possibilidades. Sim, podemos escolher entre 16 milhões de cores para os leds que adornam os auscultadores, definir a mudança de cor consoante o volume ou fazer com que essa mudança se pareça com uma espécie de respiração. Esteticamente é uma funcionalidade interessante, na prática acaba por não acrescentar grande coisa.

O trunfo dos Siberia Elite encontra-se nas restantes e mais importantes funcionalidades do SteelSeries Engine. A variedade de presets áudio que abrange tipos de equalização específicos para música, fps, acção, mmo, imersão, entretenimento entre tantos outros demonstra aquilo que a SteelSeries queria alcançar com este headset, a maior versatilidade e abrangência possíveis. Consegue-o, não só ao incluir estes presets como ao também permitir ao utilizador tirar partido do equalizador de 10 bandas presente no software e, com o live preview ligado, experimentar em tempo real quaisquer alterações que faça. No que a funções de microfone diz respeito, o SteelSeries Engine permite-nos não só regular o volume de captação do microfone como aumentar ou diminuir o sidetone (som de retorno) e ligar ou desligar o eficaz cancelamento de ruído. A cereja no topo do bolo acaba por ser a funcionalidade de Dolby Headphone que, com o toque de um botão e como que por magia, transforma o stereo dos Siberia Elite em surround 7.1.

Foi com o Dolby Headphone e o preset FPS ligados que nos aventuramos no Battlefield 3. Sim, sabemos que o 4 já anda por aí há algum tempo mas este Battlefield 3 tornou-se a pouco e pouco um dos nossos benchmarks favoritos em termos de áudio posicional. Os Elite reproduzem o ribombante grave das explosões de forma fantástica sem que exista qualquer sobreposição deste em relação aos médios e agudos do som dos motores e do ricochete das balas. Apesar do soundstage (palco) não ser comparável ao de um headset ou de uns headphones abertos, os Elite cumprem satisfatoriamente. Existe uma sensação de distância e posicionamento espacial nos sons que nos rodeiam e conseguimos facilmente aperceber-nos quando um inimigo se aproxima. Mudando a temática do conflito armado para o terror no espaço sideral, escolhemos o fabuloso primeiro capítulo da saga Dead Space. Mesmo com o peso da idade, Dead Space prova que está na linha da frente no que a sound design diz respeito e os Elite, com o preset “Immersion” seleccionado, tiram partido na perfeição da mestria colocada na componente sonora de Dead Space. Os gritos e urros dos necromorphs, as explosões, o ranger quase orgânico da nave USG Ishimura e aquela ladainha e lamento constante que nos acompanham à distância como de se um pesadelo se tratasse são reproduzidos na perfeição pelos Elite.

E se a versatilidade é um dos trunfos dos Siberia Elite, seria imperdoável não os testarmos com música e outras fontes sonoras. No computador, alterando para o preset “Music”, ouvimos um pouco de tudo. Do Doom Metal dos Subrosa ao breakcore, death metal, etc. de Igorrr, passando pelos sons mais dançáveis dos Prodigy e fazendo uma paragem na paisagem sonora que é a “Alan’s Psychedelic Breakfast” dos Pink Floyd, os Elite, mesmo sem serem auscultadores para audiófilos, reproduzem com competência qualquer género musical desde que o Dolby se encontre desligado. Os Elite impressionam pelo volume e detalhe que conseguem atingir. Aqui e ali há uma ligeira fraqueza nos médios que prejudica música com mais enfâse nas vozes, o que nos obriga a jogar um pouco com as equalizações.

No que a captação diz respeito, o microfone dos Siberia Elite cumpre de forma competente e, tanto nas conversas através do Skype como em diversos jogos online, nenhum dos nossos companheiros de armas se queixou que não nos estaria a ouvir em condições. A possibilidade de regular o volume de retorno também é bastante útil já que nos permite controlar mais facilmente a forma como falamos ao microfone. Por falar em microfone, este talvez seja o calcanhar de Aquiles dos Siberia. Não pela fraca qualidade de captação (longe disso) mas sim pelo material escolhido para servir de gooseneck, uma borracha que parece ter vida própria e não nos facilita a vida quando queremos regular a distância entre a nossa boca e o microfone.

Notas adicionais e conclusão

Isto é algo que não dizemos de ânimo leve: de entre todos os headsets (e headphones) que já tivemos a oportunidade de testar/experimentar, estes Siberia Elite saltam sem dúvida alguma para os lugares cimeiros em termos de beleza, detalhe, conforto e qualidade de construção. O preço a rondar os 200€ pode parecer algo exagerado à primeira vista mas não podemos esquecer que, para além de todas as características referidas anteriormente, os Siberia Elite se fazem acompanhar por uma fantástica placa de som com processamento Dolby e de um poderoso e versátil software, propriedade da Steelseries. Contas feitas e olhando para o que existe actualmente no mercado no que a headsets gaming diz respeito, os Siberia Elite deverão certamente ocupar um dos lugares cimeiros nas possibilidades de escolha de qualquer gamer com disponibilidade financeira para este tipo de equipamento.

Destacamos pela positiva:

Conforto

Versatilidade

Qualidade de construção

Placa de som USB

Software SteelSeries Engine

Controlo de volume e mute do microfone embutidos nos auscultadores

Aspectos a melhorar:

Material utilizado no suporte do microfone

Peso algo exagerado

recomendado_zwame

 

A ZWAME agradece à FraggerZStuff pela disponibilidade do material para teste.

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