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Análise ao Rantopad KT

A Rantopad é uma marca de periféricos sem qualquer tipo de presença no mercado nacional, situação que se repete por toda a Europa e que leva a que a rede Amazon seja o seu principal canal de distribuição.

A origem, segundo a página de informações, nasceu da ambição de um jogador de eSports que começou com 15.000$ e um tapete, o Rantopad P1, daí também o nome da marca. Hoje em dia, a mesma é marcada sobretudo pelos seus teclados mecânicos, e, curiosamente, pela variada linha de mousepads que se pautam pela longevidade.

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Neste artigo, teremos a oportunidade de analisar o teclado mecânico Rantopad KT, com uma seleção híbrida de switches Rantopad e Gateron.

Especificações

  • Blue or black switches with a lifetime of 50 million clicks
  • White LED backlight
  • N-key rollover
  • Gold-plated USB braided cable
  • Replaceable acrylic panel
  • 104-key keyboard

Embalagem e Conteúdo

Ao contrário do que seria de esperar de uma marca que não demonstra grande poderio, a Rantopad foi capaz de embrulhar o seu teclado numa embalagem que deixariam muitas, de marcas mais conhecidas, em vergonha.

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A caixa preta, que verdadeiramente armazena todo o equipamento, vem envolta num invólucro cujo esquema de cores coaduna com o do teclado. Neste cobertura de cartão vemos as tradicionais ilustrações do equipamento, exposição do nome da marca e modelo do teclado, bem como as tradicionais especificações técnicas.

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No interior da embalagem propriamente dita, encontramos o teclado muito bem acondicionado, sem qualquer espaço para oscilações, assim como para todo o material que também vem incluído. Tal material cinge-se ao key puller, manual (em chinês) e catálogo dos restantes produtos da marca.

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Em Detalhe

Começando pelo exterior do teclado, podemos notar que a Rantopad adotou uma solução bem peculiar para a cobertura do topo do mesmo. Por cima do plástico praticamente liso que constitui a shell do teclado, temos uma espécie de tampo plástico, que só ao final de duas semanas de uso contínuo do teclado descobri ser uma cobertura amovível, presa ao teclado por 6 ímanes (3 na margem superior, 4 na inferior). Quando removida, a mesma revela uma superfície em tudo igual à restante shell, lisa e de cor preta. No entanto, fiquei sem compreender a real utilidade desta “feature”, ao que apenas posso supor que seja um facilitador da limpeza do teclado, uma vez que desimpede a área de ação do gancho das teclas exteriores, assim como uma possibilidade da Rantopad disponibilizar uma variedade de tampos, para utilizadores que não vão à bolacom este tom.

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Ainda quanto à shell do teclado, podemos ver que a marca não tinha muito por onde errar, tal é a linearidade do seu desenho. Como é característico dos teclados da Rantopad, vemos que as abas laterais abrem ligeiramente para fora na zona mais avançada da shell, locais onde também se encontram posicionadas placas de fronteira e letreado metálico, com fundo liso em papel de textura completamente lisa. Tais placas, apesar de visualmente apelativas em conjunto com a aba alargada, à lente próxima mostram que as suas fronteiras metálicas não são tão lineares quanto isso, mas para identificar tal facto, foi necessário olhar muita atentamente para as mesmas. No que toca à restante parte das laterais, a qual não se estende para fora, vemos que estes serão os únicos pontos da shell onde iremos encontrar plástico glossy, contudo, tal pormenor passa completamente despercebido.

Olhando mais atentamente a cobertura do teclado, vemos que o facto da ligação à shell estar a ser feita por via de ímanes, causa problemas como o ligeiro espaço intersticial que fica em áreas mais superiores do teclado, nomeadamente acima das teclas de função. Assim, como seria de esperar, vemos um leak luminoso por baixo do plástico situado nessas áreas, leak esse que de início pensava ser propositado, nunca lhe tendo dedicado particular atenção nas primeiras semanas de uso.

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Quanto à placa que se encontra por baixo das teclas, vemos a normal implementação plástica em tons escuros, algo que condiciona alguma da intensidade de iluminação de background, mas que, na minha opinião, traz uma maior sobriedade ao teclado graças à sua maior discrição. Devido aos tons escuros, qualquer sujidade ganha menor destaque, algo que é sempre satisfatório. No entanto, graças ao key puller que chega com a embalagem, e à placa que omite quase que por completo as entranhas do teclado (há uma abertura que se estende quase ao comprimento da barra de espaços, que se encontra sob ela, e que dá diretamente com o PCB), facilmente se procede à limpeza do mesmo.

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Passando às keycaps, é óbvio que o formato das mesmas é diferente do habitual, apresentando um perfil onde o limite inferior da tecla, em vez de reto, mostra-se curvo. As mesmas também aparentam ser de dimensões mais pequenas do que o habitual, mas após a sua medição, constatamos que apenas perdem 2 mm de comprimento face às keycaps de um Razer Blackwidow Chroma, medindo cerca de 13 mm de comprimento e 12 mm de largura, o que lhes confere uma superfície bastante quadrada e de aspeto geral tão pequeno. Não obstante, poderíamos pensar que a compatibilidade com sets de keycaps adicionais iria pela janela fora, mas não, uma vez que apesar do topo da tecla ser mais curto em ~2 mm face à norma do mercado, o comprimento da base parece distanciar-se em somente ~0.5 mm, o que significa que qualquer set adicional assenta bem neste teclado, tanto que nós transpusemos algumas das teclas de um Razer Blackwidow Chroma, bem como de um Corsair Strafe RGB, e não houve qualquer tipo de constrangimento. Por outro lado, o facto do teclado não ter uma standard bottom row deita por terra tudo o que atrás foi dito, uma vez que as teclas à esquerda da barra de espaço medem cerca de 21 mm, enquanto que à direita andam pelos 16 mm, quando deveriam ser de igual comprimento. A textura delas é muito agradável, não tão lisa quanto a do Blackwidow Chroma aqui analisado. Aliás, classificá-las-ia como lisas, mas não lustrosas e escorregadias, o que também leva a que a gordura natural das mãos e dedos nunca fique notoriamente marcada.

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Sendo estas keycaps de ABS fino não-doubleshot, esperamos sempre uma qualidade subpar, mas devo dizer que gostei bastante da transparência das mesmas. Em qualquer um dos 3 níveis base de intensidade de iluminação, a distribuição de cor pelos caracteres é completamente homogénea e regular, nunca chegando a ser ofensiva ao olhar, como alguns teclados que possuem níveis de intensidade bastante agressivos. A fonte utilizada, não é das mais banais, no entanto é bastante sóbria, regular e compacta, algo que sabe particularmente melhor dado, o perfil quadrado do topo das keycaps “centrais”.

Passando agora aos switches, como atrás explicado, a marca enganou-se, e em vez de nos enviar o modelo MT do teclado, surgiu-nos uma embalagem com o KT. O que significa isto? Significa que a shell e pormenores estruturais e estéticos se mantêm os mesmos, havendo a alteração dos switches utilizados, logo, em vez de termos mecanismos Gateron por baixo de todas as teclas, temos switches próprios Rantopad, de fabricante desconhecida a ocupar a maiorparte do teclado.

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Para nossa surpresa, e como poderão compreender, hesito em avançar com esta afirmação, mas devo dizer que senti uma maior qualidade vinda destes switches, do que da presente em qualquer tipo switch básico da marca alemã Cherry MX ou da fabricante de pior fama, KailH. Os switches Rantopad são lineares, e baseado num Ozone Strike Pro com Reds que tenho aqui ao lado e num antigo Chikony com Blacks, teria que colocar a força de atuação entre estes dois, numa zona bem intermédia e agradável, com um smooth acrescentado devido a qualquer fricção ligeira, mas muito agradável.

O “wobble” das teclas é também ele bastante inferior, tendo chegado a pensar que tal facto se pudesse dever a um switch com o ponto de ligação em cruz mais apertado, no entanto, tirei a exata mesma experiência com keycaps de diferentes teclados, uma viagem smooth, linear, e com “wobble” muito reduzido. Também as teclas de maiores dimensões conservam a mesma robustez, teclas essas que escondem switches Gateron Black, com casing transparente, mas com o LED de fora. Essas teclas cingem-se à barra de espaços e teclas à esquerda, Shifts, Enter, Backspace, e no numpad, Ins, Enter e +. As teclas de maiores dimensões como os Shifts e barra de espaços precisam de ser estabilizados, mas em vez do velho arame preso a um par de ganchos na keycap, temos aqui o sistema de três encaixes: a cruz do switch, e mais duas cruzes, uma em cada lado, cada uma com uma ligeira margem de manobra para se moverem, algo que resulta numa oscilação da keycap não maior do que a das restantes teclas, e no geral, melhor do que a grande parte de teclados mecânicos que já tive a oportunidade de testar.

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Quanto à solidez geral do teclado, não noto qualquer vacilação por parte do mesmo, no entando, se andar à procura de falhas proativamente, consigo-as encontrar. Se apertar a zona superior do teclado, consigo ouvir algum ranger, indicador de que o teclado não se encontra tão bem montado quanto isso; se me puser a empurrar propositadamente a cobertura do teclado, consigo movê-la em cerca de 1 mm na vertical, algo que na prática é mais do que o valor ilustra, para além do também (já atrás retratado) leak luminoso.

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Como aspetros extras que valem a pena ser tomados em consideração, temos o cabo sleevado que até ao momento se encontra em perfeitas condiçõs, para além do facto de que a sua saída do teclado se encontra moderadamente protegida por borracha, assim como a passagem do cabo à terminação USB. Em baixo do teclado temos 5 pés de borracha de dimensão mais do que suficiente para evitar riscos no tampo da mesa, e do mesmo modo, vemos que as patilhas que permitem elevar o teclado em quase 1 cm, também se encontram cobertas por uma boa quantidade de borracha, na porção que assenta na superfície.

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Considerações Finais

Ignorando o facto de que este teclado não se encontra disponível no mercado ocidental, e encarando-o como uma análise parcial ao Rantopad MT, versão que se encontra disponível nas lojas Amazon, temos aqui um equipamento muito supreendente.

A qualidade das keycaps é bastante boa, especialmente quando temos em conta que estas são de plástico ABS fino. A fonte utilizada é sóbria, o perfil diferente das mesmas em nada afeta a facilidade de escrita, e o material utilizado tem uma ótima textura e não fica facilmente marcado com o óleo natural das mãos.

Os switches utilizados na versão KT são de marca própria, exceto em teclas de maior dimensão onde iremos encontrar Gateron Black. Não obstante, a qualidade dos mesmos é incrivelmente satisfatória, muito smooth, linear, e com significativo menor “wobble” que teclas com switches Cherry MX.

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A qualidade de iluminação é também ela muito acima do esperado de uma marca relativamente desconhecida, uma vez que as keycaps têm uma transparência perfeitamente homogénea em qualquer nível de intensidade.

Em contra corrente, entra o leak luminoso que foge por cima da topo plástico do teclado, assim como a zona superior da shell que range aquando pressionada, e as placas na lateral que mostram alguma falta de precisão final na delimitação das letras e fronteira metálica.

Durante a análise ao teclado fiquei com a forte sensação de que existe um significativo défice positivo com o Rantopad KT, uma vez que apesar do tampo amovível ser desnecessário e causar problemas mínimos, os switches são refrescantes pela sua qualidade e robustez, assim como todas as escolhas envoltas na elaboração das keycaps e iluminação. No entanto, este teclado não se encontra disponível no mercado ocidental (o MT também só se encontra em lojas norte-americanas), o que aliado com o preço a rondar os 110$ por um teclado de iluminação monocromática que incorre no risco de parar na alfândega, nos fazem crer que não existe base sólida para uma recomendação da nossa parte.

A ZWAME agradece à Rantopad a disponibilidade do equipamento para análise.

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