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Teste rápido: AMD Wraith Prism RGB

Quão bom é, de facto, o cooler stock do 2700X?

Por esta altura já toda a gente está a par de todas as novidades introduzidas com a 2ª geração de CPUs AMD Ryzen, incluindo o novo, e vistoso, dissipador de origem que a AMD inclui com o modelo de topo, o Ryzen 7 2700X.
Mas quão bom é, afinal, este cooler? Dispensa a aquisição de uma solução aftermarket?
Aqui na ZWAME fizemos um teste rápido, para tentar responder a estas questões.

Comecemos por deitar um olho ao cooler, novamente:

Fabricado pela Cooler Master, este é um cooler bastante musculado, para solução stock, possuindo 4 heatpipes de cobre que fazem contacto directo com o processador, transportanto depois o calor para nada menos que 50 alhetas de dissipação.
A ventilação fica a cargo de uma ventoinha de 92mm. A moldura da ventoinha integra um pequeno selector de modo de ventoinha, “H”igh ou “L”ow, e dois conectores para controlo externo da iluminação RGB integrada, um permite o controlo directo via a motherboard, o outro via USB 2.0.

Por defeito, a iluminação assume um efeito de arco-iris bastante distintivo:


O Teste

Para este teste corremos o teste de tortura do Prime95 por um período mínimo de 20 minutos, no modo que supostamente gera o máximo de calor nos núcleos, “Small FFTs”.
Corremos ainda um render no Blender, o “Classroom”, de modo a estimarmos o comportamento num cenário mais realista, mas ainda assim, do mais exigente que a esmagadora maioria dos sistemas caseiros poderá esperar encontrar.
Testamos o Wraith Prism nos dois modos, L e H e adicionámos ainda o Wraith Spire RGB e o Noctua NH-D15S, para efeitos comparativos.
Estes testes foram todos efectuados no conjunto Ryzen 7 2700X + Gigabyte X470 Aorus Gaming 7 WiFi recém analisado por nós, montado em benchtable, em posição horizontal e sem qualquer outra fonte de ventilação, com uma temperatura ambiente de cerca de 24ºC.

Prime95

De imediato salta à vista que o Prism é claramente superior ao Spire, superiorizando-se não só a arrefecer o CPU como também a ventilar os VRMs da motherboard, um pormenor também merecedor de atenção.
Um cooler aftermarket de 1ª linha continua a fazer uma diferença assinalável, no entanto, como mostram os resultados do NH-D15S. Embora na nossa opinião, não deixe de ser impressionante a performance de um cooler “oferecido” versus um de quase 100€.
Quanto à diferença entre os modos H e L, o modo H melhora, de facto, a performance de forma visível, mas o preço a pagar é elevado. O modo L limita a velocidade da ventoinha às 3000 RPM e mantém o ruído em níveis suportáveis, mesmo em carga elevada. O H eleva este limite para as 3650RPM, com um impacto tremendo no ruído produzido, que limita imenso a utilidade prática deste modo para o dia a dia, na nossa opinião.

Neste gráfico temos a frequência a que o CPU estabilizou com cada um dos dissipadores. De notar que o 2700X não se “cola” numa frequência, mas antes oscila num intervalo delas. Os números apresentados representam o valor onde observamos o CPU mais tempo, dentro desses intervalos, via CPU-Z.
Com o Wraith Prism oscilou entre 3825 e os 3875MHz, em ambos os modos. Com o Wraith Spire assistimos a uma quebra ainda considerável, com o CPU a oscilar entre os 3725 e os 3775MHz. Por fim, com o Noctua manteve-se nums relativamente estáveis 3875MHz, com o ocasional salto aos 3900 e a ocasional quebra aos 3850MHz.
Ou seja, o Wraith Spire simplesmente não tem a capacidade necessária para manter este CPU no seu máximo potencial. Já o Prism incluído com o CPU fica bem mais próximo do máximo que um cooler de topo permite.
No teste do Blender veremos como isto se traduz da performance do CPU em utilização real.

Blender

De notar que a diferença de temperaturas entre os dois modos do Prism é menos pronunciada, neste caso.
O Spire continua a ultrapassar os 80ºC e , como seria, de esperar, o Noctua  continua a ser o mais fresco por boa margem.
No tempo de Render, o modo H não fez qualquer diferença, acabando o trabalho no mesmo tempo que o modo L. Em relação ao Noctua, o Prism perdeu 6 segundos, uma diferença quase desprezável, de meros 0,6% , num trabalho de cerca de 15 minutos.
O Spire perdeu 15 segundos para o Prism (1,6%) e 21 segundos para o Noctua (2,3%), valores, de novo, bastante pequenos em relação ao tempo total da tarefa, mas ainda assim mais notórios.

Conclusão

O Wraith Prism revelou-se um cooler muito competente, perfeitamente capaz de manter o CPU em temperaturas saudáveis e a performance no seu máximo potencial, ou lá muito perto.
Acusticamente, é bastante silencioso em utilização normal, fazendo-se ouvir mais marcadamente quando o sistema é sujeito a cargas de trabalho mais pesadas, mas sempre de foram perfeitamente tolerável. Isto no modo predefinido “L”. O modo “H” é algo que desaconselhamos totalmente, excepto em caso de emergência, no pico do verão alentejano. Os ganhos práticos que permite são muito pequenos e a penalidade acústica é muito elevada.

Quem planeia usar um 2700X para trabalhos de rendering, HPC e outras tarefas particularmente pesadas, de forma continuada, ou quem simplesmente goste de ver o seu CPU o mais fresco possível em todas as situações poderá ter algo a ganhar com a instalação de um cooler mais capaz. Mas acreditamos que a grande maioria dos utilizadores fica perfeitamente servido com a solução stock, especialmente quando parece cada vez mais evidente que o overclock nestes 2700X já “vem de origem” (como até a subida do TDP para os 105W dá um pouco a entender), e não há muito mais a tirar deles a nível de frequências.

Numa nota final, a comparação com o Wraith Spire mostra que, mais do que um brinde ou um cooler mais bonito para o modelo de topo, este Wraith Prism é mesmo uma necessidade para libertar todo o potencial do CPU com que vem incluído e é bom ver pelo menos uma companhia empenhada em oferecer a melhor performance possível “out of the box” aos seus clientes, em vez de poupar alguns cêntimos em metal. Um excelente exemplo da AMD que esperamos que não se perca no futuro.

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