Notícias

Big Iron, Risc, x86 e um mercado que se move lentamente

Ontem foi escrito um artigo que trás a lume uma assunto que deve passar pela cabeça de algumas pessoas.

O assunto é se é possível que o nicho de mercado das mainframes seja ocupado por servidores x86.

O tema é bastante controverso e devem existir as mais variadas opções.

Um dos pontos mais interessantes é onde apareceu o artigo. O artigo está colocado num blog da HP, uma das partes interessadas neste mercado e que nos últimos meses tem estado na linha de fogo.

Para quem está interessado neste mercado, aconselho vivamente a ler o artigo e a formar a sua própria opinião.

Não me querendo substituir ao artigo, coloco aqui as ideias gerais.

Nos anos 90 havia um enorme mercado de servidores chamados de “big iron”. Era um mercado em expansão, com os principais intervenientes a serem a SUN, a SGI, a HP e a IBM.

Nesta altura já existiam servidores x86, mas um servidor “a sério” estaria a correr num sistema multi processador RISC de um destes quatro fabricantes.

No entanto, a Intel, com todo o mercado a prever a morte do x86 e do CISC, lança o Pentium Pro e em seguida os Xeons.
A discussão CISC vs RISC foi respondida pela Intel ao tornar os processadores x86 mais parecidos com RISC e ao mesmo tempo tornou possível a criação de servidores até quatro sockets.

Claro que estes servidores ainda eram vistos por muitos com estranheza. Não eram tão robustos como soluções proprietárias e não escalavam bem.
Para muitos não era uma solução credível, mas para outros era “suficiente”.

O “suficiente” dos servidores x86 foi-se tornando uma solução cada vez mais capaz, com o crescimento de Linux e de Windows Server e ao longo de muitos anos, x86 foi tomando conta do mercado de servidores.

A SGI foi comprada e hoje o seu forte são soluções no mercado x86 que escalam melhor que soluções de outras empresas.
A SUN foi comprada pela Oracle e a sua oferta de servidores SPARC tornou-se uma sombra dos gloriosos dias.
A HP decidiu matar duas arquitecturas com provas dadas (Alpha e PA-RISC) e, com a Intel, apostou tudo no Intanium.
A IBM continua a ser a lider deste mercado de “Big Iron”, mas grande parte do sucesso é derivado dos serviços que a IBM disponibiliza.

É este último ponto que pode ser complicado para os servidores x86.
Servidores x86 com múltiplos sockets são possíveis e em termos de performance até podem ser melhores, caso tenham uma infraestrutura capaz de o fazer escalar. Na verdade, no futuro é possível que ele escale para valores de dezenas de sockets, sem soluções proprietárias.

O problema é que neste mercado não se muda por mudar. Este mercado não gosta sequer de mudança.
Nos dias de hoje, quando se compra um servidor destes é algo para custar vários milhões e o processador e mesmo o servidor é apenas um dos componentes, que pode nem ser a mais cara.
Quando se compra um destes sistemas, está-se a comprar uma solução, com provas dadas a nível de disponibilidade e um inteiro ecossistema de sistema operativo, middleware e software que foi pensado para escalar verticalmente e integrado na solução.

É minha opinião que não basta uma solução x86 escalar para múltiplos sockets e que linux funcione bem nesse sistema.
A nível de fiabilidade, um sistema x86 tem que provar que tem a mais alta das disponibilidades e o software tem que estar pensado para uma solução destas.
Se adicionarmos a isto o facto que este é um mercado que não gosta de mudanças, penso que não é complicado concluir que uma mudança para x86 é apenas uma das possibilidades futuras e que mesmo que aconteça, vai demorar muitos anos. Estamos a falar em dezenas de anos.

Mais uma vez, a quem estiver interessado neste mercado, aconselho a lerem o artigo colocado no blog da HP.

Fonte: HP

Etiquetas

Artigos Relacionados

Close