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Ryzen 2700X: Impacto da velocidade da memória

Análise ao impacto na performance de diferentes velocidades e latências de memória

Os processadores AMD Ryzen têm tido, desde o berço, uma relação conturbada com a memória RAM. Se, por um lado, estes processadores parecem beneficiar particularmente de frequências de memória mais elevadas, por outro essas frequências têm-se revelado notoriamente mais difíceis de atingir nesta plataforma do que nas rivais da Intel, com os resultados a variarem bastante com os módulos usados.
Assim, escolher memória para um sistema Ryzen tem-se revelado uma das tarefas mais difíceis na hora de montar um novo sistema, e das que mais dúvidas suscitam na nossa comunidade.
Numa tentativa de esclarecer algumas dessas dúvidas, testámos o novo Ryzen 7 2700X com velocidades de memória dos 2133MH aos 3466MHz, para quantificar os ganhos reais que frequências mais elevadas trazem a estes CPUs e aferir até que ponto as dores de cabeça na escolha de memórias e posterior afinação são justificadas.

Compatibilidade, actualização

Na análise publicada no lançamento do CPU, mencionamos as dificuldades que tivemos com as memórias, com o conjunto Ryzen 7 2700X + Gigabyte X470 Aorus Gaming 7 WiFi, com apenas um kit de memória a ir além dos 2133MHz base.
Entretanto foram lançada sucessivas actualizações de BIOS para esta motherboard, e podemos dizer que a situação melhorou consideravelmente. Ainda é necessário mais trabalho do que um simples activar dos perfis XMP, mas com alguns ajustes nas voltagens e latências conseguimos levar as G.Skill Trident Z 3400MHz aos 3066MHz e as Corsair Vengeance LED 3200MHz aos 2933MHz. Ainda não é o ideal, mas é uma melhoria significativa.
As Trident Z RGB 3600MHz, essas chegaram mesmo a romper a barreira psicológica dos 3200MHz, chegando aos 3466MHz com plena estabilidade:

Ainda conseguimos entrar no Windows com este kit a trabalhar a 3533MHz, mas à custa de alguns ecrãs azuis. Assim, resolvemos utilizar as nossas G.Skill Flare X para testar as frequências dos 2133 aos 3200MHz com CL14 e as Trident Z RGB para testar as frequências dos 2133 aos 3466MHz com CL16. Esperamos, assim, conseguir avaliar o impacto não só da frequência, mas também da latência da memória na performance geral do sistema.

Para terminar, como curiosidade, experimentamos ligar o sistema com 4 módulos de memória, um de cada um dos kits disponíveis, numa espécie de teste extremo de compatibilidade: O sistema arrancou sem qualquer problema na primeira tentativa, mas revertendo para uns conservadores 1866MHz.

Resultados

AIDA64

Como seria de esperar, a largura de banda é directamente proporcional à frequência. Como se pode ver, para o mesmo número de ciclos de latência, a latência real diminui consideravelmente com a frequência, já que esses ciclos passam num espaço de tempo mais curto.
Para a mesma frequência, menos ciclos também produzem latências reias mais baixas, como seria de esperar.

CineBENCH R15

O CineBENCH parece relativamente imune à velocidade da memória. A performance single-threaded mantém-se praticamente constante, em todos os casos, e a performance multi-threaded tende a subir muito ligeiramente com frequências de memória mais elevadas e latências mais baixas, mas com uns meros 3% a separar o pior do melhor resultado.

x265

O encoding de vídeo em HEVC também não parece dar grande importância à performance da memória. Nota-se uma tendência de melhoria, quer com maior frequência, quer com menores latências, mas esta mede-se em fracções de segundo, não tendo qualquer significado prático.

7-Zip

Este teste costuma responder bastante bem ao aumento de frequência de memória, já que é bastante dependente da largura de banda. No caso deste processador, no entanto, assistimos apenas a uma subida de performance de compressão até aos 2666MHz, que depois estagna um pouco daí para cima. A performance em descompressão, essa mantêm-se constante em todas as situações, o que nos leva a crer que o factor limitador, neste caso, se encontra noutro lado.

Rise of the Tomb Raider

Este jogo revelou-se bastante sensível à performance da memória, nesta plataforma, com ganhos superiores a 30%, entre o pior e o melhor dos casos.
É, também, interessante observar que, em geral, baixar a latência de CL16 para CL14 produz quase os mesmos ganhos que subir a frequência das memórias em 266MHz.

GRID Autosport

Outro jogo onde observamos um escalamento quase linear de performance com a performance das memórias, embora com ganhos menores entre “degraus” do que no caso anterior.

Conclusão

É certo que este foi um teste longe de ser exaustivo, mas o impacto da velocidade da memória em tarefas pesadas como rendering ou codificação de vídeo não parece ser tão grande quanto muitas vezes se faz crer e quem tenciona tirar partido do grande número de núcleos destes CPUs provavelmente não terá de se preocupar tanto com velocidade e fará melhor em apostar em quantidade, no que a memória diz respeito. Kits como as Corsair Vengeance 2x16GB 2400MHz, já analisadas por nós, podem ser uma boa opção.
As gamas Fortis e FlareX de 2400MHz também são boas opções, já que, além de serem especificamente filtradas para AMD, vêm com os 2400MHz programados no SPD, pelo que não requerem qualquer configuração extra para trabalharem a essa velocidade, dando logo de origem o pequeno salto de performance em relação aos 2133MHZ base.

Os jogos, estes sim parecem ser os maiores beneficiários de memória de performance mais elevada, com ganhos práticos bastante significativos. 3466MHz CL16 e 3200MHz CL14 tiveram resultados muito idênticos, chegando a ser 30% superiores aos produzidos por 2133MHz CL16.
Assim, quem tencionar usar um destes CPUs para jogar poderá ter muito a ganhar com o kit de memórias certo. Infelizmente, é muito difícil aconselhar um kit de memórias e garantir que o utilizador vai conseguir 3466MHz, por exemplo, no seu sistema. Por enquanto, as memórias de alta performance com maior probabilidade de funcionarem sem problemas na plataforma AM4 parecem continuar a ser as G.Skill Flare X 2x8GB 3200MHz, que produzem excelentes resultados graças à sua combinação de frequência elevada com latência baixa. Infelizmente este é um kit caro, aproximando-se dos 250€. Quem não tiver problema com este valor, esta deverá ser a melhor aposta para esta plataforma.
Já os utilizadores que procuram uma melhor relação preço/desempenho farão melhor em apostar num kit de 2666 a 2933MHz a bom preço. Kits como as Corsair Vengeance 2x8GB 2666MHz, por exemplo, encontram-se abaixo dos 200€ e fazem essa frequência com 1,2V, o que normalmente lhes dá uma boa margem para subir a frequência ou baixar as latências, com um pouco mais de voltagem, requerendo apenas um pouco de paciência por parte dos utilizadores para encontrar o melhor ponto de equilíbrio. Se necessário, com a ajuda da nossa comunidade.

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