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Guia de compra: SSDs

 

A massificação dos SSDs pode ser considerada a maior revolução desta década, no que toca à performance dos computadores pessoais.
Graças a tempos de acesso praticamente instantâneos, a resposta dos sistemas aos comandos torna-se quase imediata e os entediantes tempos de espera característicos dos HDDs tradicionais são praticamente eliminados. Isto traduz-se numa experiência de utilização muito mais fluída e incomparavelmente mais satisfatória. Por este motivo, a adição de um SSD mantêm-se como o melhor upgrade que é possível fazer a um sistema que ainda não o tenha.
Este guia serve para ajudar os utilizadores a navegar o mar de diferentes tipos e formatos de SSD disponíveis no mercado, de modo a escolherem algo que se ajuste às suas necessidades e, acima de tudo, compatível com os seus sistemas. Começamos pelos aspectos gerais a considerar:

Interface:

A interface é o protocolo através do qual os SSDs comunicam com o sistema. As drives orientadas ao mercado consumidor usam essencialmente uma de duas interfaces:
-SATA: herdada dos discos rígidos convencionais, a SATA é capaz de taxas de transferência reais máximas de 550MB/s, e as drives mais modernas andam todas bastante próximas deste limite, em transferências sequenciais de dados. Apesar de ultrapassada em performance por outras interfaces, a capacidade da SATA continua a ser mais do que suficiente para a grande maioria dos utilizadores.
-PCI Express: com a interface SATA saturada, as drives de maior performance mudaram-se para o PCI Express para oferecerem velocidades ainda mais elevadas. Estas drives usam normalmente ligações PCIe x4 (embora possam usar mais, no formato de placas dedicadas), capazes de fornecer até 4GB/s de largura de banda, com as mais rápidas actualmente disponíveis a já andarem bastante próximas desse limite. estas drives são particularmente indicadas para cargas de trabalho que façam uso muito intenso da unidade de armazenamento, com movimentação frequente de grandes volumes de dados ou muitos pedidos de acesso simultâneos.

Formato:

Os SSDs encontram-se disponíveis em diversos formatos, cada um com as suas vantagens e desvantagens. São eles:
-“Disco” de 2,5″: o formato mais convencional e ainda o mais comum. As drives de 2,5″ usam quase exclusivamente a interface SATA e têm a vantagem de serem compatíveis com a grande maioria dos sistemas, particularmente os mais antigos que não incorporam suporte a formatos mais recentes. Têm ainda a vantagem de serem menos susceptíveis a sobreaquecimento e são, habitualmente, um pouco mais baratas que os modelos equivalentes de outros formatos.
A grande desvantagem deste formato é o seu volume. Em desktops isto não é, normalmente, um problema, mas as gerações mais recentes de portáteis ultra compactos já raramente incluem espaço para este tipo de drive.
Também existem drives de 2,5″ PCIe, que fazem uso de conectores do tipo U.2, mas são muito raras e normalmente orientadas a datacenters.
– M.2: mais do que um formato de SSDs, o M.2 define formatos para diversas placas de expansão compactas, pelo que é possível encontrar outro tipo de dispositivos, em diversos tamanhos e configurações, com a designação M.2. No caso particular dos SSDs, o tamanho habitualmente adoptado é de 22mm de largura e comprimentos entre os 42 e 110mm. Estes tamanhos são descrito por um código numérico de fácil interpretação. Como exemplo, uma drive do tipo “2280”, um dos mais comuns, tem 22x80mm.
Estas drives estão disponíveis com interface PCIe e SATA. As drives M.2 PCIe são as drives com maior performance do mercado, enquanto que as M.2 SATA são equivalentes aos modelos tradicionais de 2,5″. Isto tem levado a alguma confusão entre os utilizadores, que muitas vezes assumem automaticamente M.2 como “melhor”, quando na realidade, isso só é verdade para os modelos PCIe. É necessária atenção redobrada, nestes casos, e caso existam dúvidas, a nossa comunidade está sempre pronta a ajudar.
Em geral, as drives M.2 SATA adequam-se mais a portáteis ou desktops particularmente compactos, sendo, nas restantes situações, preferível optar pelas versões convencionais de 2,5″ e deixar as slots M.2 livres para eventuais drives M.2 PCIe.
Por fim, quem estiver interessado em utilizar uma drive M.2 em sistemas sem estas slots pode fazê-lo com adaptadores PCIe para as slots de expansão convencionais. Existe, no entanto, a possibilidade de não serem suportadas como drives de boot, em sistemas mais antigos.
– mSATA: um formato de SSD ultra compacto, que usa exclusivamente a interface SATA. Este formato foi largamente substituído pelo M.2, mas ainda é suportado por muitos computadores portáteis, mini-PCs e algumas motherboards de pequeno formato.
– placas de expansão PCIe: drives neste formato assumem a forma de uma placa de expansão PCIe completa, com controladores e memória integrados no PCB. Outrora a única maneira que os fabricantes tinham de providenciar drives com performance superior à permitida pelo SATA, este tipo de SSDs foi tornado largamente obsoleto pela introdução de suporte nativo a drives PCIe nas plataformas e por formatos como o M.2 e U.2. Existem, no entanto, alguns fabricantes ainda a oferecer soluções deste tipo.

Existem outros aspectos, a ter em conta, como a capacidade (naturalmente), o controlador ou o tipo de memória flash utilizado. Este ultimo tem impacto directo na performance e longevidade dos SSDs, com memória do tipo MLC a ter habitualmente melhor performance e longevidade face á memória do tipo TLC. Isto deve ser levado mais como uma indicação, no entanto, e não como regra absoluta. Memória de gerações e fabricantes diferentes não são directamente comparáveis já que as novas gerações de memória TLC, particularmente a memória em camadas (vulgo “3D”) veio esborratar um pouco essa fronteira e aproximar-se da MLC convencional. Além disso, os fabricantes de SSDs estão cada vez melhores a disfarçar as fraquezas da memória TLC com técnicas de caching, pelo que para o utilizador comum acaba por ser um aspecto relativamente indiferente, tendo apenas interesse para os casos de utilização mais intensiva.

Vamos, então, às nossas sugestões:

SSDs SATA 2.5’’

Na nossa opinião, o aspecto mais importante de um SSD para o utilizador comum é o preço por GB. Isto faz do Crucial MX300, (275GB, 525GB, 1TB, 2TB) uma das melhores opções do mercado, que faz uso de memória TLC 3D para oferecer uma combinação de preço, performance e capacidade imbatível. Este é um SSD que deverá satisfazer perfeitamente as necessidades da grande maioria dos utilizadores.
Não podemos deixar de mencionar também o Samsung 850 Evo (250GB, 500GB, 1TB, 2TB, 4TB), um modelo um pouco mais dispendioso que compensa com um ligeiro incremento de performance e garantia mais alargada (5 vs 3 anos). Pode ser uma melhor opção para quem valorizar estes factores acima do preço por GB.
Os utilizadores que prevejam uma utilização mais intensiva dos seus SSDs deverão considerar o Samsung 850 Pro(128GB, 256GB, 512GB, 1TB, 2TB), um SSD de excelente performance e grande durabilidade (10 anos de garantia), particularmente indicado para uso profissional que envolva a movimentação regular de grandes quantidades de dados. Como alternativa menos dispendiosa para o mesmo tipo de utilização, encontramos o Toshiba OCZ VX500 (128GB, 256GB, 512GB, 1TB), com 5 anos de garantia. Tal como o 850 Pro, este SSD ainda é baseado em memória flash do tipo MLC, que permite maior longevidade e performance mais consistente que as drives mais baratas, baseadas em memória TLC.​

SSDs M.2 PCIe

Os que procuram a melhor performance actualmente disponível no mercado encontram a resposta no Samsung 960 Pro (512GB, 1TB, 2TB). Baseado em memória MLC 3D de ultima geração, este modelo oferece velocidades de escrita superiores a 2GB/s e velocidades de leitura de 3,5GB/s, começando a aproximar-se do limite do M.2 PCIe. Estas drives combinam performance com durabilidade (oferece 5 anos de garantia) e são particularmente indicadas para os profissionais com requisitos mais exigentes ou para os entusiastas que só se contentam com o melhor.
Quem quer a maior parte dos benefícios deste tipo de drive, mas não está interessado em esvaziar o mealheiro para o conseguir, tem no Samsung 960 Evo (250GB, 500GB, 1TB) a melhor opção. Estes SSDs oferecem uma relação preço/performance imbatível graças à utilização de memória 3D TLC e das eficazes técnicas de caching da Samsung, sendo provavelmente a opção mais sensata para a maior parte dos utilizadores que procuram uma drive deste tipo.
Menção ainda para o Toshiba OCZ RD400 (128GB, 256GB(A), 512GB(A), 1TB(A)), um modelo um pouco mais antigo baseado em memória MLC convencional, que oferece performance um pouco abaixo do 960 Pro por um preço também um pouco mais baixo, mas com os mesmo 5 anos de garantia e a consistência de performance que só a memória MLC ainda permite.

SSDs M.2 SATA​ e mSATA

Os procuram acrescentar ou actualizar os SSDs dos seus portáteis e desktops compactos munidos de uma destas portas encontram a solução nas versões mSATA do Samsung 850 Evo nas versões M.2 SATA dos Crucial MX300 e, novamente, Samsung 850 Evo. Estes SSDs oferecem níveis de performance semelhantes às versões de 2.5″ e são perfeitos para boot drives deste tipo de sistemas.

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