Análises

Análise ao rato Razer Mamba Chroma

Introdução

Para a maioria das pessoas, a Razer é uma marca que claramente dispensa introduções, tal é a sua presença no mercado de periféricos gaming.

Ao longo dos anos marcou este mercado com produtos como os os ratos Razer Deathadder e Naga e com as mais variadas variações do seu teclado mecânico Razer Blackwidow. Poucas das suas iterações revelaram real qualidade para o utilizador mais exigente, tanto que atualmente os seus headsets ainda se ficam muito atrás em termos qualitativos do que tem vindo a passar a ser a norma do mercado, tal como os seus teclados, os quais apresentam uma qualidade de construção e uma escolha de switches não muito abonatória e uma seleção de ratos que ainda opta por não utilizar os melhores sensores ao dispôr da marca.

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Hoje teremos a oportunidade de analisar talvez o rato mais premium da marca, o Razer Mamba 2015.

Especificações

  • 16,000 DPI 5G laser sensor
  • Up to 210 inches per second / 50 G acceleration
  • Adjustable Click Force Technology
  • Dual gaming grade wired/wireless technology
  • 1,000 Hz Ultrapolling / 1 ms response time*
  • On-The-Fly Sensitivity Adjustment
  • Ergonomic right-handed design with textured rubber side grips
  • Chroma lighting with true 16.8 million customizable color options
  • Inter-device color synchronization
  • Nine independently programmable buttons with tilt-click scroll wheel
  • Charging dock
  • Razer Synapse enabled
  • 2.1 m / 7 ft braided fiber USB charging cable
  • Approximate size: 128 mm / 5 in (Length) x 70 mm / 2.76 in (Width) x 42.5 mm / 1.67 in (Height)
  • Approximate weight: 125 g / 0.27 lbs
  • Battery life: Approximately 20 hrs (continuous gaming)

Embalagem e Conteúdo

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Em detalhe

Tratando-se esta de uma iteração do Mamba por parte da Razer, é natural ver uma shell de traços razoavelmente semelhantes aos vistos em anteriores e atuais versões do Mamba e Deathadder. Assim, continuamos a contar com um rato bastante alto (os 70 mm fazem-se mesmo notar), com uma lateral direita a abrir ligeiramente para o lado, lateral esquerda vertical, e umas costas que encaixam muito naturalmente na mão.

Não obstante, nesta edição facilmente constatamos que as linhas do rato tornaram-se menos acentuadas, mais retas e portanto mais universais, tornando o rato uma boa opção para mais utilizadores, uma vez que as anteriores shapes sempre foram caracterizadas por causar amores e dissabores. Olhando para os botões M1 e M2, podemos notar que agora já não achatam tanto na ponta; as laterais apresentam-se menos cavadas e a scroll wheel abandonou o antigo formato da Razer que durante tantos anos caracterizou os seus ratos.

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Em termos práticos, o rato faz sentir o seu valor. As laterais são espaçosas (não temos dedos a tropeçar em botões) e ambas apresentam segmentos de borracha na área onde descansam os dedos, de modo a facilitar o grip e conforto, especialmente para aquelas pessoas que não conseguem evituar suar das mãos nos momentos mais inoportunos.

A carcaça, na face superior, é de um plástico de textura “baça”, ou seja, apresenta uma superfíce com grânulos muito, mas muito pequenos, o que chega para causar impressão ao toque, mas não o suficiente para causar grande impactos em termos práticos.

No que toca a botões, começando pelo M1 e M2 e, como discutido anteriormente, podemos avançar que apresentam um desenho ligeiramente diferente ao presente na anterior geração. Os botões são menos achatados, mas igualmente confortáveis, com espaço bem delimitado e que inadvertidamente mantêm os dedos no seu devido lugar, dado o seu perfil em fale, especialmente vincado do lado de fora da tecla. No que toca a resistência e feedback, devo dizer que muito dificilmente haverá melhor do que a Razer fez aqui com a combinação da sua shell e os típicos switches OMRON, uma vez que a viagem é super linear, o clique nem demasiado leve, nem demasiado pesado, com feedback tátil e sonoro (clicky) muitíssimo bem demarcados.

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Passando a outros botões, temos aqueles que estão presentes na lateral esquerda, os quais apresentam um feedback bastante suave e de viagem agradável. Apesar da qualidade dos mesmos, em termos subjetivos, não fui capaz de gostar deste par de botões, uma vez que apesar de apresentarem um feedback muitíssimo bem trabalhado e executado, o peso dos mesmos situa-se um bocado acima do que seria o ideal. Novamente, com os botões de alteração do valor de DPIs, a Razer não falhou e apresentou uma solução com um feedback, no mínimo, invejável por uma grande quantidade de marcas a operar neste mercado. Os botões são sólidos, sem qualquer folga, apresentam um clique pesado a fim de evitar cliques acidentais on-the-fly, um feedback tátil e sonoro diferente de todos os outros botões, na medida em que não é clicky, apresentando sim um impacto mais grave, com mais corpo e controlado.

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Relativamente à scroll wheel, com o adeus ao anterior desenho característico da Razer, ficamos agora com uma resposta que parece ter subido ainda mais um bocado a parada. A tira de borracha, em vez dos tradicionais sulcos por por “step”, apresenta agora 3 retângulos mínimos em relevo, os quais se fazem sentir como uma solução mais prática e, portanto, inteligente. O feedback continua a um nível 5*, com steps bem pautados e um grau de leveza de scroll bem equilibrado.

Em termos de skates e cabo, a Razer continua a manter a simplicidade no que realmente deve ser simples, usando um formato standard e minimalista de skates, o que contrasta com inexplicáveis formatos como os presentes em ratos como os Logitech G402 e Logitech G502. O cabo que chega sleevado para fins de estéticos e de durabilidade, não apresenta qualquer tipo de imperfeições e mostra uma interface bastante inteligente e bem executada, encaixando a terminação micro-USB perfeitamente no rato, com solidez (não move nem sai com movimentos  bruscos) e atenção ao design, uma vez que quando conectado, deixamos de nos aperceber que se trata de um cabo amovível.

A iluminação RGB, um dos principais highlights do rato para os possíveis interessados, respeita a mesma implementação presente nos restantes ratos da marca. Uma linha em cada lado a acompanhar a silhueta da carcaça, bem como as circunferências que delimitam as laterais da scroll wheel. No meio de tudo isto, a Razer parece ter tentado dar uns toques na sobriedade dos seus equipamentos, deixando este modelo sem o logo da marca iluminado, nas costas do rato. Neste campo, fica somente o reparo que nas linhas das laterais, em certos pontos dos segmento, se nota um espaçamento não intencional estre a shell e a tira, o que origina um leak luminoso que tira algum prestígio à implementação deste sistema de iluminação.

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Uso e Desempenho

Começando pelos utilizadores que costumam dar uma certa importância à mobilidade, talvez este não seja um dos ratos mais ideais para tal. A duração da bateria é francamente curta, cerca de catorze horas , o que obriga à utilização do cabo ou carregamento da bateria todos os dias, o que não é muito cómodo para quem paga 180€ por um rato. Fora esse aspeto, com as luzes desligadas, este é um rato que poderia muito bem ser utilizado em qualquer espaço público sem causar grande espalhafato, no entanto, o rato continua a dar ares de ser bastante caro, o que motiva qualquer pessoa simplesmente a levá-lo para casa, no bolso, sem permissão.

Em casa/escritório, o rato brilha, tanto figurativamente como literalmente. A base é sóbria, pelo que não fica mal em cima da mesa e, por norma, ao final do dia é só encaixar lá o rato para poder continuar a usá-lo no modo wireless sem qualquer stress ou preocupação com níveis de bateria. Dado o seu sensor laser, o rato lê em quase qualquer superfície, pelo que acaba por ser desnecessária a utilização de um tapete, o que ajuda a manter uma mesa mais limpa e organizada. O nível de DPIs, 16.000, é absolutamente obscena, pelo que nem mesmo uma pessoa com um quarteto de monitores 4K sentiria dificuldade em deslocar o ponteiro do rato de um canto ao outro dos ecrãs.

Para gaming, especialmente para aqueles que puxam mais pelos ratos, nomeadamente em jogos FPS como CS:GO ou BF4, o rato vai mostrar algumas falhas. Em primeiro lugar, o modo wireless deixa de ser prático, uma vez que a latência irá fazer diminuir a rapidez da nossa resposta. O sensor apresenta um tracking muito aquém do esperado para um rato de 180€, apresentando como problemas mais graves os bem percetíveis níveis de aceleração, mais do propícios a causar problemas de frustração com flick shots. Não obstante, para qualquer outro jogo que não FPS competitivos ou RTS exigentes como Starcraft 2, o rato mais do que cumprirá o seu propósito.

No que toca a conforto e suporte a diferentes grips, o rato comporta-se de facto muito bem. As aplicações de borracha cumprem o seu propósito, ajudando a manter o rato mais seguro e a evitar problemas a quem sua demasiado; a face superior, apesar de não levar nenhum tratamento especial como um possível coating de borracha, é texturada, o que a torna agradável ao toque e evita ainda maiores problemas com suor. Relativamente a grips, o Razer Mamba comporta-se igualmente bem em palm, claw ou fingertip grip, tal é o seu design linear, quase que ambidextro, não fossem as nuances das laterais.

Em termos práticos, para além da performance do sensor, o único senão que fui capaz de sentir aquando a sua utilização foi o seu peso, que apesar de se enquadrar perfeitamente bem para uma utilização quotidiana, é capaz de causar algum tipo de fadiga a quem está habituado a gastar largas horas por dia a jogar, dado o tipo de utilização de caraácter bem mais intensivo.

Considerações Finais

No meio de tantas fabricantes de ratos gaming, ainda são raras as tais que optem por investir em soluções wireless, especialmente não cedendo noutros aspetos fundamentais do rato. O Razer Mamba Chroma chega por um obsceno preço de 180€, mas não opta por soluções de compromisso, facilitando a vida a compradores mais abastados na materialização do preço dispendido.

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O rato chega com uma qualidade de construção quase que intocável, com pormenores inteligentes por todo o espetro, como é o caso do cabo, aplicações de borracha, ajuste de sensibilidade dos switches dos botões M1 e M2, etc.

A sua shape, apesar de ser catacterizada por algumas linhas de curvatura suave, é quase que ambidextra, natural à mão e, por último, mas não menos importante, amiga dos três diferentes tipos de grip principais.

Como pontos negativos a apresentar, temos o elevado peso do rato (normal tendo em conta que tem uma bateria no seu interior), algum leak luminoso nas laterais e a escolha de sensor, que apesar de ser a melhor para utilizadores não focados em jogos FPS e RTS competitivos, fica aquém do esperado para os que realmente cedem muita atenção a títulos desses géneros.

Não obstante toda a anterior argumentação, 180€ continua a ser um valor um bocado caricato para empregar somente num periférico, especialmente tendo em conta a quadratura económica do nosso país.

A ZWAME agradece à Razer a disponibilidade do equipamento para análise.

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