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Comparativo nVIDIA RTX 2080ti, GTX 1080ti e GTX 980ti

Será Turing uma verdadeira geração para suceder Pascal e Maxwell?

Novas Tecnologias de Turing

RTX

Tal como a mudança de nome das novas gráficas indica, RTX é um grande ponto de foco da arquitectura Turing. Até hoje todos os jogos fazem uso de renderização por Raster que consiste em projectar geometria numa grelha de píxeis e calcular iluminação das superfícies com base em normais e posicionamento de luzes. Esta técnica apesar de ser extremamente eficiente e rápida não permite resolver alguns problemas de forma fácil como sombras, iluminação indirecta, reflexões e refrações.

É aqui que entra então o ray tracing que consiste em calcular onde colide uma recta que inicia num determinado ponto e segue com uma determinada direcção. É uma técnica que é usada há muitos anos mesmo em jogos mas limitam-se a pequenas situações como suporte para AI para validar linha de vista entre dois pontos, verificar qual o objecto que o ponteiro do rato está a apontar, onde acerta o tiro em armas de fogo com projéctil instantâneo, etc.

No entanto é possível utilizar ray tracing para renderização onde se simula o percurso de fotões e assim resolve todas as dificuldades referentes a sombras, iluminação global e reflexos. Infelizmente uma vez que são necessários imensos fotões o custo desta técnica tem sido proibitivo para jogos e apenas utilizado para renderizações offline (renderizações que não são em tempo real). RTX faz uso dos RT cores da arquitectura Turing mencionados anteriormente e dão a possibilidade de acelerar substancialmente o calculo de raios.

É a primeira implementação deste tipo de APIs e como tal não tem a performance necessária para que a imagem seja renderizada exclusivamente com ray tracing. Para tal vamos ter uma combinação de uma primeira renderização usando Raster e posteriormente é adicionado uma combinação de sombras, reflexos ou iluminação de forma exclusiva ou não. Quer isto dizer que alguns jogos apenas vão implementar reflexos (Battlefield V), outros apenas sombras (Shadow of the Tomb Raider) e outros apenas iluminação global (Metro Exodus).

Para além de implementações parciais há ainda o problema de que a capacidade de fotões a emitir é para já limitado e como tal o resultado vai ser ruidoso. Aqui há duas soluções possíveis em que uma delas passa pelo uso de redes neuronais aceleradas pelos Tensor Cores para remover o ruído ou utilizar técnicas de anti-aliasing temporal.

Infelizmente ainda não há nenhum conteúdo disponível com RTX e como tal não podemos avaliar em concreto qual as melhorias e qualidade de imagem ou qual a penalização de performance.

DLSS

Outra tecnologia apresentada com as Turing consiste numa nova forma de anti-aliasing utilizando redes neuronais aceleradas pelos Tensor Cores para inferir detalhe ou arestas.

Essencialmente foram apresentadas duas formas de DLSS:

  • DLSS – Neste modo a imagem é renderizada a 3/4 da resolução e depois é feito um upscale inferindo o detalhe em falta e assim permitir um aumento considerável de performance com pouca redução de detalhe. Infelizmente não existe para já nenhum jogo que implemente esta técnica e como tal vamos ter de esperar para validar se cumpre as promessas.
  • DLSS2x – Este modo ao contrário do anterior renderiza a imagem na sua resolução nativa de depois tenta corrigir o aliasing. Promete ter melhor qualidade que os vários métodos temporais comuns e com melhor performance. Tal como o método anterior infelizmente ainda não temos nenhum caso prático em mãos para validar as promessas.

Conclusões

A nVIDIA entregou sem sombra de dúvida a melhor gráfica de consumidor com a RTX 2080ti e o salto entre gerações foi mantido no que diz respeito a performance (especialmente em 1440p) e em consumo energético por performance. Para quem quer garantir sempre frames elevados com tudo no máximo a 1440p não há qualquer dúvida que a RTX 2080ti será a que trará melhor prestação. No entanto, ao contrário do que a nVIDIA publicou, ainda não é esta placa gráfica que irá permitir jogar qualquer jogo com tudo no máximo a 4K a 60FPS. Não quer dizer que lá não esteja perto e que com uma ou duas alterações não se tenha a performance pretendida mas a realidade é que ainda não é esta a gráfica que irá banalizar totalmente os 4K.

Um aspecto bastante positivo a favor das novas placas RTX é a clara melhoria de suporte às novas APIs DX12 e Vulkan. Se estas APIs começarem a ser devidamente implementadas e se tornarem mais ubíquas então não será de estranhar que o fosso de performance entre as placas Turing e Pascal comece a aumentar (um pouco ao estilo do que aconteceu com a passagem das Kepler para as Maxwell onde ao longo do tempo as Kepler começaram a ficar cada vez mais afastadas).

Depois temos as novas tecnologias RTX e DLSS que apesar de serem interessantes no papel ainda não temos a possibilidade de as ver concretizadas, por isso, para já valem o que valem. Poderão ser espectaculares como também poderão ser um terrível flop. Se este for o motivo de escolha para a sua compra o melhor conselho será esperar uns meses para saírem alguns títulos que provem então se valerá a pena.

Apesar da RTX 2080ti proporcionar um salto em performance e eficiência de consumo habituais para uma nova geração, o que não foi mesmo nada habitual foi o aumento de preço bastante acentuado. Isto faz com que a recomendação mesmo para entusiastas se torne difícil. Há promessas de novas tecnologias mas essas ainda estão por provar e a decisão de uma compra deverá ser sempre com base no que já se tem e não no que irá ter no futuro para evitar arrependimentos. Assim sendo a única recomendação possível desta gráfica será para quem é entusiasta e despender mais de 1200€ não fará mossa no orçamento pessoal. Outro potencial target será quem tirar proveito do músculo extra em GPGPU mas não tem orçamento suficiente para uma Quadro.

As razões para um aumento tão súbito de preço podem ter a ver com vários factores desde falta de concorrência, utilizar memórias GDDR6 que são dispendiosas, utilizar um chip gigante (775 mm² não é brincadeira), evitar concorrência com produtos Pascal ainda no mercado ou simplesmente outras questões mais obscuras ao público geral. Seja como for nada muda o impacto que esta subida tem para o consumidor.

Para terminar temos então a situação actual em que há imensos reportes de unidades que apresentaram falhas e tiveram de ser enviadas para RMA. Ainda não se percebe totalmente qual o volume destes casos e se há efectivamente um problema pois tanto há distribuidores a indicar que está tudo normal como há outros que indicam que há um aumento considerável de RMAs. Dada toda esta incerteza a recomendação mais lógica para quem está a pensar comprar será esperar até ser mais claro se há ou não um problema generalizado.

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